Monumento da Luz
Sobral - CE
2018

MONUMENTO DA LUZ

Tempo, gravidade e luz. Estes três aspectos abordados pela Teoria da Relatividade Geral coincidentemente são essenciais para a arquitetura. A Teoria contribuiu para a superação da concepção tridimensional do espaço, permitindo a consideração de outras dimensões do universo físico, em especial a dimensão tempo. A gravidade é uma das principais forças da natureza que interferem na arquitetura e muitas vezes busca-se desafiá-la. Pela gravidade se domina a construção. A luz é considerada o tema central da arquitetura, ela é criadora da matéria, e o propósito da matéria é projetar sombras. Pela luz se compreende o espaço. Como um material instável de construção, ela está em constante processo de mutação no decorrer do tempo.

LOCAL

Procurando a maior valorização da contribuição de Sobral para a comprovação da Teoria da Relatividade Geral no evento do Eclipse Solar de 1919, o terreno escolhido foi o da área A, uma vez que se localiza
em uma das entradas ao centro da cidade às margens do rio Acaraú, podendo ser avistado a partir de diversos pontos do entorno. E ainda se acredita que a relação de um novo objeto arquitetônico com o conjunto arquitetônico e urbanístico tombado é muito rica, já que se celebra um fato histórico e se compreende que a cidade é formada por camadas temporais.

PARTIDO

O ponto de partida é promover aos usuários uma experiência não apenas visual, mas completa, em que se compreenda aos poucos o monumento. Os usuários terão uma rica vivência do eclipse a partir de uma forma simples, mas que explora o tempo, a gravidade e a luz e celebra a ciência e o universo. O projeto parte de um espelho d’água circular. O círculo possui a simbologia de uma imagem de perfeição e totalidade, desenhando a metáfora do cosmos, do entrelace do céu e da terra. O espelho d’água permite ainda a repetição do monumento e do céu, e promove
um vínculo de permanência, tornando o lugar “sagrado”. Em meio ao espelho d’água surge um monólito de planta quadrada e lado retangular. Tanto círculo quanto quadrado possuem grande força centrípeta, concentrando as perspectivas de um ponto de vista privilegiado. O centro do monumento é a representação do eclipse, provocado por um rasgo circular na cobertura e um elemento escultórico cobrindo parte da zenital, eternizando o mesmo efeito de luz visto em 1919. As paredes laterais possuem generosas aberturas ao nível do observador em meio círculo. Na parte superior há um rendilhado que mimetiza as estrelas. Ao longo do dia, a luz e a sombra vão se modificando e provocando diversas percepções aos usuários. À noite, o efeito de luz se inverte: o monumento se transforma numa lanterna na paisagem, o rendilhado é visto do exterior e seu efeito é amplificado pelo espelho d’água. A luz também é explorada na identidade visual do monumento, a sombra que desenha seu nome. O piso do monumento é elevado, dando a sensação de flutuar sobre o espelho d’água, desafiando assim a gravidade.

CONSTRUÇÃO

A concepção estrutural é definida por um conjunto prismático rígido. Este é composto por quatro paredes estruturais em concreto armado moldado in loco, configurando um grande travamento ao monumento, com altura de 12m, comprimento de 7,5m e espessura média de 20cm. Internamente uma segunda pele estrutural afunila até a abertura circular no topo, fixada ao longo de todo comprimento por lajes que se comportam como diafragma, agregando ainda mais rigidez ao sistema. Nesta segunda pele é onde se fixa por cabos de aço o elemento escultórico metálico. As aberturas em arcos são projetadas de modo a conduzir todo o carregamento da edificação até o sistema de fundações superficiais de sapatas. O conjunto trabalha de modo predominante em compressão, favorecendo o material escolhido, o concreto. Sua superfície é texturizada pelas formas de maneira a referenciar as faixas de espectros luminosos da coroa solar dos registros fotográficos que a equipe brasileira estudou após o eclipse

Concurso Monumento da Luz

equipe:
Arq. André Bihuna, Arqª Mariana Steiner

consultor estrutura:
Engº Charles Jaster


        
Curitiba, Brasil